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O Bico de Gás



Sexta-feira, 28.05.10

Brecht

Em verdade, ele viveu em tempo de trevas.
Os tempos ganharam em luz.
Os tempos ganharam em trevas.
Quando a luz diz: Eu sou as trevas,
Disse a verdade.
Quando as trevas dizem: Eu sou
a luz, não mentem.
______________
Heiner Müller
trad.: João Barrento

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às 00:03

Quinta-feira, 27.05.10

Bota e perdigota

«O cardeal patriarca de Lisboa ficou desiludido com Cavaco Silva por este ter promulgado a lei do casamento homossexual. E considera que se tivesse usado o veto, o Presidente da República asseguraria a reeleição. "Se o fizesse [o veto] ganhava as eleições".»

D. Policarpo confunde o seu desejo como representante da ICAR com o sentimento dos portugueses católicos. É a velha teima de que a igreja ainda tem um peso fulcral na sociedade. Já não tem.

A verdade é que Cavaco Silva não ganhará ou perderá as eleições por decidir num único aspecto (mesmo que este esteja de alguma forma ligado a crenças religiosas). Quantos católicos estarão de facto desiludidos ao ponto de não votar Cavaco? Muitos? Esse é o desejo de D.Policarpo. Eu acredito que na realidade serão alguns, mas muito poucos. 

E pergunto, se não em Cavaco votarão os católicos em quem? O actual PR é o mais conservador que podem escolher, logo o mais próximo das suas ideias. Além do mais o ar de enfado do Presidente aquando da promulgação servirá como atenuante aos mais conservadores. Quer isto dizer que dificilmente Cavaco Silva terá perdido o seu eleitorado "normal". Acredito mais facilmente que tenha ganho votos precisamente por ter promulgado a Lei do Casamento de Pessoas do Mesmo Sexo, ao piscar o olho às faixas mais liberais.

Não misturemos as coisas.
ASENSIO

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às 23:53

Terça-feira, 18.05.10

Candidato Cavaco

Ontem, aquando do discurso da promulgação da Lei do Casamento de Pessoas do Mesmo Sexo, diz Cavaco Silva a certa altura:

Conhecidas que são as posições expressas aquando do debate do diploma na Assembleia da República, tudo indica que as forças políticas que o aprovaram voltariam a aprová-lo.


Nessas circunstâncias, o Presidente da República seria obrigado a promulgá-lo no prazo de oito dias.

Sendo assim, entendo que não devo contribuir para arrastar inutilmente este debate, o que acentuaria as divisões entre os Portugueses e desviaria a atenção dos agentes políticos da resolução dos problemas que afectam gravemente a vida das pessoas.

Pergunto: o debate seria assim tão arrastado? É o próprio Presidente a referir que as forças políticas voltariam a aprovar o documento e a sua promulgação seria feita em 8 dias. Este argumento como desculpa para a aprovação é fraco.

Tanto mais que, num país já em crise, o Presidente andou a alimentar fábulas sobre escutas e intromissões informáticas. Ah! esperem a lenda das escutas foi manobra eleitoral... então todo este discurso não foi dito pelo PR, mas pelo candidato Cavaco, que se quis resguardar da divisão, não dos portugueses, mas do seu eleitorado.
ASENSIO

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às 12:15

Terça-feira, 18.05.10

Da oportunidade da censura.

Não sejamos ingénuos. O PSD nunca concordaria com uma moção de censura neste momento. Não por esta ser inoportuna mas porque Pedro Passos Coelho não quer pegar no leme de um país próximo da bancarrota, apesar de, como sempre, se poder desculpar com os erros do Governo anterior, que não explicam tudo.

O Governo Sócrates que lide com a crise e com o desemprego que já ronda os 10,6%. Eventualmente esta aliviará e será nesse momento que Pedro Passos Coelho começará as investidas ao cargo de Primeiro-Ministro. Não venham os sociais democratas mascarar cálculo político com responsabilidade em tempo de grave crise.
ASENSIO

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às 11:53

Sábado, 15.05.10

Saldanha Sanches e um post sincero

A morte de Saldanha Sanches hoje, aos 66 anos, é para mim completamente inesperada. E um absoluto choque. Há muito que não o via, nem sabia que ele andava a fugir do cabrão do cancro, como diz o Miguel Esteves Cardoso. Mas sinto este desaparecimento como pessoal. Tinha um enorme respeito e admiração pelo Prof. Saldanha Sanches. Sempre o vi como um dos académicos mais sérios e estimulantes que conheço. Como é óbvio, discordava dele em muitas coisas, mas curiosamente nestes últimos anos de desvergonha e corrupção mansamente aceite pelas pessoas via-me cada vez mais próximo do que ele escrevia. Era um brilhante académico que ensinava bem que temos mesmo de saber do que falamos. Saldanha Sanches conhecia como poucos o seu ofício (foi talvez o mais importante fiscalista português desde Alberto Xavier). Além disso, era um homem de opiniões e convicções e não as escondia, era um verdadeiro risk-taker, facto que lhe valeu a sua quota de chatices e inimizades. Nunca o vi usar aquele registo tecnocrático e de autoridade com que alguns professores (não apenas de direito) abordam o debate público, esquecendo que no debate público somos apenas aquilo que dizemos, os argumentos que temos ou não temos. Fui monitor do Prof. Saldanha Sanches em 1999 e aprendi muito e guardo muitas saudades desse ano. Já passou algum tempo. Vou sinceramente sentir a falta da sua lucidez e inteligência.

Adenda: Ao reler esta entrevista admirável de Saldanha Sanches lembrei-me duma coisa que talvez se soubesse menos e que está bem patente na entrevista: o seu gosto pela literatura. Lembro-me que no dia do exame de direito fiscal, há dez anos, estivemos a discutir os romances do Hemingway e Saldanha Sanches explicou-me o significado daquela frase famosa: "grace under pressure". Que ele evidentemente tinha.

Pedro Lomba, in Suction with Valche©k

Um post repleto de sinceridade.
ASENSIO

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às 12:40

Quinta-feira, 13.05.10

Dos enganos...

Com as mentiras e enganos de Sócrates temos já uma longa relação que está já na segunda legislatura. Por isso, sobre o Governo estamos conversados.

De Pedro Passos Coelho, não estávamos habituados. Poderíamos esperá-las quando embarcasse na aventura de ser Primeiro-Ministro, mas mesmo antes de tal feito não seria expectável. Nos poucos meses que leva como líder do maior partido da oposição já inverteu a sua posição sobre o aumento de impostos, decisão sobre a qual sempre se mostrou contra, juntamente com outras cúpulas do PSD.

Temos, nesta reviravolta, duas hipóteses, e nenhuma delas augura nada de bom no futuro de Passos Coelho: ou este decide seguir a mesma bitola de José Sócrates e, em tempo de votações, ajustar, omitir e esquecer a realidade na busca do voto fácil, invertendo a marcha quando chega ao lugar escrutinado, ou então mostra-se impreparado e desconhecedor das reais dificuldades do país, que o levam a deixar de lado aquilo que antes acreditava e defendia.

Seja a primeira ou a segunda hipótese, terá Passos Coelho perfil para líder de um Governo? E será que os eleitores lhe quererão dar a oportunidade?
ASENSIO
 

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às 12:24

Segunda-feira, 10.05.10

"Vou ali e já venho"

A pressão do pensamento único é tão grande que só o PCP teve a coragem de dizer NÃO ao "empréstimo" à Grécia. Como é óbvio, a concessão deste empréstimo, que alguém decidiu por nós, é inseparável das condições que são ditadas à Grécia para o receber. Essas condições são um PEC grego, que absolve os responsáveis pela crise, e que faz recair sobre os trabalhadores gregos sacrifícios iníquos e inaceitáveis: cortes de salários, privação de subsídios de férias e de natal, despedimentos. Este PEC imposto à Grécia, condena este país a uma profunda recessão e não é solução para crise nenhuma.

Apoiar este "empréstimo" seria reconhecer que não há outro caminho que não seja esta União Europeia ditada pelos interesses do capital financeiro, contra os cidadãos e os seus direitos.

Revejo-me o orgulho-me da posição do PCP, precisamente por ser solidário com a Grécia. Se aprovar este "empréstimo" é ser solidário com a Grécia, vou ali e já venho...
António Filipe

Apesar de considerar António Filipe um dos melhores deputados da nossa praça parlamentar, não consigo concordar com estes argumentos.

O motivo é simples: as ditas condições do PEC grego seriam aplicadas mesmo sem empréstimo. Constavam já no caderno de encargos do Governo grego. Não condena os responsáveis pela crise é certo, mas esta ajuda poderá, dependendo da justeza da sua aplicação, aliviar os sacrifícios do povo grego, que, de outra forma, poderia ser ainda mais sacrificado.

Para além da UE do capital financeiro, que existe quer queiramos quer não, também tem que existir a da solidariedade entre povos. E parece-me que o PCP, na sua ânsia de combater o capitalismo europeu, se esqueceu desta última.
ASENSIO

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às 23:45

Sábado, 08.05.10

Jorge Miranda. Sim, o constitucionalista...


















(via Ponte Europa)
ASENSIO

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às 03:48

Terça-feira, 04.05.10

Disponível por encomenda (xxix)




















Standard & Poor's baixa 'rating' desta T-Shirt
ASENSIO

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às 02:48

Domingo, 02.05.10

Dia da Mãe

Infância
Não minha mãe. Não era ali que estava.
Talvez noutra gaveta. Noutro quarto.
Talvez dentro de mim que me apertava
contra as paredes do teu sexo-parto.

A porta que entretanto atravessava
talhada no teu ventre de alabastro
abria-se fechava dilatava.
Agora sei: dali nunca mais parto.

Não minha mãe. Também não era a sala
nem nenhum dos retratos de família
nem a brisa que a vida já não tem.

Talvez a tua voz que ainda me fala...
... o meu berço enfeitado a buganvília...
Tenho tantas saudades, minha mãe !
_______________________
José Carlos Ary Dos Santos
ASENSIO

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às 17:16


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