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O Bico de Gás



Sexta-feira, 24.11.06

É este o prestígio

Com políticos deste calibre não admira que a União Europeia e obviamente Portugal estejam num beco sem saída. Digo isto porque o senhor Durão descobriu agora que a guerra do Iraque está a "correr mal" mas que Portugal ganhou credibilidade e que ele só defendeu os interesses portugueses.

Qual é o interesse que Portugal pode ter numa guerra injustificada e mentirosa? Portugal, seguidista, é cúmplice nesta asneira cujo desenlace todos sabíamos que ia ser esta tragédia. Todos sabíamos sim porque hoje ninguém se mostra surpreendido pelo facto do Iraque estar perto da guerra civil. Seguindo este raciocínio onde está o ganho de credibilidade? Pois, ninguém sabe... nem Durão Barroso, cujo único exemplo, que consegue dar, do ganho português nesta matéria é:


«Para o ex-primeiro-ministro, Portugal «não perdeu nada», pelo contrário, «só ganhou credibilidade na ocasião». Exemplificou com o facto de, pouco tempo depois, ter sido convidado para o cargo que ocupa agora na UE, com o apoio de países europeus que se opuseram à intervenção no Iraque, como a Alemanha e a França.»

Então, o senhor Durão não defendeu os interesses portugueses, defendeu o seu interesse pessoal. Não há mais nenhum "ganho" que Portugal possa tirar do sofrimento causado por uma guerra, que não o dilatar do ego/currículo deste senhor. Por isto tudo, não sei onde pára o imenso prestígio pelo facto de Durão ser presidente da Comissão Europeia. Foi um mau primeiro-ministro, é um mau presidente da CE e será uma vergonha quando for corrido do poleiro onde se encontra. Mas não se preocupe senhor Durão porque quando voltar, terá de certeza um bom e bem remunerado cargo à sua espera. Não que o mereça por ser competente no que faz mas apenas porque Portugal é assim...

ASENSIO

p.s.- Pergunto-me se este senhor terá, alguma vez, falado em nome de todos os portugueses. No apoio à guerra tenho a certeza que não...

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às 16:52

Sexta-feira, 24.11.06

Poema da eterna presença

Estou, nesta noite cálida, deliciadamente estendido sobre a relva,
de olhos postos no céu, e reparo, com alegria,

que as dimensões do infinito não me perturbam.

(O infinito!

Essa incomensurável distância de meio metro

que vai desde o meu cérebro aos dedos com que escrevo!)


O que me perturba é que o todo possa caber na parte,

que o tridimensional caiba no dimensional, e não o esgote.


O que me perturba é que tudo caiba dentro de mim,

de mim, pobre de mim, que sou parte do todo.

E em mim continuaria a caber se me cortassem braços e pernas

porque eu não sou braço nem sou perna.


Se eu tivesse a memória das pedras

que logo entram em queda assim que se largam no espaço

sem que nunca nenhuma se tivesse esquecido de cair;

se eu tivesse a memória da luz

que mal começa, na sua origem, logo se propaga,

sem que nenhuma se esquecesse de propagar;

os meus olhos reviveriam os dinossáurios que caminharam sobre a Terra,

os meus ouvidos lembrar-se-iam dos rugidos dos oceanos que engoliram
continentes,
a minha pele lembrar-se-ia da temperatura das geleiras que galgaram sobre a
Terra.

Mas não esqueci tudo.

Guardei a memória da treva, do medo espavorido

do homem da caverna

que me fazia gritar quando era menino e me apagavam a luz;

guardei a memória da fome;

da fome de todos os bichos de todas as eras,

que me fez estender os lábios sôfregos para mamar quando cheguei ao mundo;

guardei a memória do amor,

dessa segunda fome de todos os bichos de todas as eras,

que me fez desejar a mulher do próximo e do distante;

guardei a memória do infinito,

daquele tempo sem tempo, origem de todos os tempos,

em que assisti, disperso, fragmentado, pulverizado,

à formação do Universo.


Tudo se passou defronte de partes de mim.

E aqui estou eu feito carne para o demonstrar,

porque os átomos da minha carne não foram fabricados de propósito para mim.

Já cá estavam.

Estão.

E estarão.
__________________________________________
António Gedeão
Poemas Póstumos (1983)

ASENSIO

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às 05:32


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