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O Bico de Gás



Quarta-feira, 08.08.07

Direito à greve, de novo e sempre...

«Na Alemanha, foi proibida a greve dos maquinistas que ameaçava parar comboios de passageiros e de mercadorias. O sindicato, que reclama aumentos salariais de 31 por cento, vai recorrer da decisão do Tribunal do Trabalho para prosseguir com a luta.[...]
O tribunal fundamentou a sua decisão no facto da economia alemã estar muito dependente deste meio de transporte. A greve ferroviária traria prejuízos ao transporte de mercadorias, além de afectar o transporte de passageiros em pleno período de férias.»


O Tribunal alemão do Trabalho prefere esquecer o que são os (ainda) direitos laborais em nome do óbvio prejuízo que uma greve traz (que lógica faria uma greve que não os trouxesse?) e do transtorno causado às pessoas em férias (se não estivessem em férias o transtorno seria menor?).

Outros países procuram definir "serviços mínimos" que, podendo realmente ser necessários nuns sectores, como na saúde, noutros são muito discutíveis. Claramente, o novo rumo das relações de trabalho passam pelo fim destas formas de luta,
hélas.
ASENSIO

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às 22:00

Quarta-feira, 08.08.07

Algo que fica por propor...

«O novo primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, apresentou as linhas do que disse ser a "transformação total do sistema", propondo uma reforma "drástica da gestão do Estado".»

Seria também muito bom propor uma alteração à recente Constituição para esclarecer quem deveria ser convidado a formar Governo, se o partido mais votado, se uma coligação feita apressadamente no após a eleição e cuja estabilidade não é certa.

ASENSIO

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às 21:50

Quarta-feira, 08.08.07

26 de Abril de 1905

Neste mundo, é imediatamente evidente que algo de muito estranho se passa. Não se vê uma só casa nos vales ou nas planícies. Toda gente vive nas montanhas.
Em dado momento, os cientistas descobriram que o tempo flui mais devagar à medida que aumenta a distância do centro da terra. O efeito é mínimo, mas pode ser medido com instrumentos extremamente sensíveis. Quando o fenómeno se tornou conhecido, algumas pessoas, na ânsia de se manterem jovens, foram viver para as montanhas e agora as casas são todas construídas no Dom, no Matterhorn, no Monte Rosa, e noutros pontos igualmente elevados. É impossível vender casas noutro sítio qualquer.

Muitos, porém, não se contentam simplesmente em ter as suas casas na montanha. para maximizarem o efeito, constroem as suas casas sobre estacas. Por esse mundo fora, os cumes das montanhas estão cobertos de casas dessas, casas que à distância se assemelham a pássaros gordos de pernas altas e ossudas. Os mais preocupados com a longevidade construíram as suas casas sobre estacas elevadíssimas. Na verdade há casas que chegam a atingir setecentos metros de altura, empoleiradas nas suas pernas de aranha. elevação tornou-se sinónimo de posição social. [...]. Há os que se gabam de ter vivido toda a vida lá no alto, de ter nascido na casa mais alta do cume da mais alta montanha e de nunca de lá terem saído. Esses celebram a sua juventude frente ao espelho e passeiam-se nus pelas varandas.
[...]
Em cada cidade há sempre um punhado de pessoas que não se importam de envelhecer alguns segundos mais depressa que os vizinhos. São as almas aventureiras, as que descem ao mundo inferior e aí passam dias a fio, deitadas à sombra das árvores que crescem nos vales, nadando tranquilamente nos lagos que se espraiam nas altitudes mais amenas, ou simplesmente rebolando-se no chão. Raramente consultam o relógio e nunca são capazes de dizer se é segunda ou quinta-feira. E quando os outros passam a correr e troçam delas, limitam-se a sorrir.[...]

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Os Sonhos de Einstein (sinopse)
Alan Lightman

ASENSIO

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às 00:34


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