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O Bico de Gás



Segunda-feira, 20.08.07

Sinal de pobreza no pensamento

«Os funcionários públicos que demonstrem sinais exteriores de riqueza podem vir a ser alvo de processo disciplinar, prevê a nova Lei Geral Tributária. Este processo disciplinar pode ser levantado mesmo antes de existirem contra este funcionário público.»

Ou seja, mesmo que inocente acaba por ser condenado com um processo disciplinar. Gostava de saber o que justifica, aos olhos do Tribunal Constitucional, este
voyeurismo e também o porquê da diferenciação entre funcionários públicos e outros trabalhadores.

Há determinados instrumentos de investigação que, por se intrometerem na vida privada do comum cidadão, terão sempre que ser usados com cautela, sem distinções e só depois de suspeitas fundadas objectivamente. A meu ver, o levantamento do sigilo bancário, as escutas telefónicas, buscas domiciliárias entre outras, deveriam ser consideradas ao mesmo nível. E nunca poderá um "sinal exterior de riqueza" ser considerado como prova excepcional para sustentar um processo disciplinar a quem quer que seja.

ASENSIO

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às 16:59

Domingo, 19.08.07

É ao contrário...

«Os activistas terão errado no alvo porque ceifaram 1 hectare de milho transgénico de um pequeno agricultor, e o debate acabou por se centrar no acessório e sobre a escolha da acção. Quanto a nós, sociedade, seria bom que nos concentrássemos sobre o essencial: Transgénicos no prato ou fora dele?»

Algo está do avesso. Somos obrigados a centrar-nos no acessório precisamente pelo erro da acção. Não há causa, por muito nobre que seja, que sobreviva a uma defesa constante deste estilo.

Por outro lado, o argumento do "direito de propriedade" poderá ser mais importante para a ala direita e afins, mas existe também o argumento, não menos central, do trabalho despendido pelo agricultor que toca à ala canhota, pelo que este tipo de acção não irá ter grandes ganhos à esquerda ou à direita.

Agora punam/indemnizem quem tem que ser punido/indemnizado. Logo veremos o que infelizmente acontecerá ao debate.
ASENSIO

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às 20:26

Domingo, 19.08.07

Eludicem-me

Nesta notícia, qual a relevância em saber quem apoia Helena Lopes da Costa à liderança do PSD? É algum tipo de sugestão? Que me recorde, sugerir não é uma função jornalística.
ASENSIO

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às 19:31

Sexta-feira, 17.08.07

Idiotas de férias...

«Cerca de cem activistas contra os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) destruíram esta sexta-feira perto de um hectare de milho transgénico numa herdade em Silves. O agricultor João Menezes exige agora reembolso pelos estragos na sua cultura, que salienta ser a sua única fonte de rendimento.»

As férias desta juventude rasteira deixa-os desocupados, depois não sabem o que fazer. Ora, isto não é forma de lutar por causa nenhuma.

ASENSIO

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às 17:45

Sexta-feira, 17.08.07

Eternoretornógrafo

WILFREDO CATÁ
Pseudónimo sob o qual o poeta cubano Luis Rogelio Nogueras publicou em Março de 1969 o poema "Eternoretornógrafo", revelando sua verdadeira autoria apenas em 1981, quando da publicação do seu livro Imitación de la vida, em Havana.

Este belíssimo poema vem uma vez mais, e originalmente, tocar no problema (?) das influências sofridas pelo(s) escritor(es). Já se disse que há poesia ultrapassada com duzentos anos e poesia actual com dois mil, e o que Luis Rogelo Nogueras parece querer afirmar neste seu poema-pião-do-tempo, é que nenhum escritor pode por de lado, no acto da escrita, a sua (nossa) herança cultural.
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Eternoretornógrafo


O jovem poeta murmurou fechando o livro

de Apollinaire:

"Este sim, é um poeta..."

E Apollinaire, o soldado polaco Wilhelm

Apollinaris de Kostrowitzky,

enterrado até à cintura na trincheira

perto de Lyon,

olhando a noite estrelada de 4 de agosto

de 1914

a terra ressequida, florescida de estacas e arame

farpado,

semeada de minas essa noite de 1914,

olhando as bengalas azuis, vermelhas e verdes no

céu envenenado pelos gases,

apertou o húmido livrito de Rimbaud enquanto

sobre a sua cabeça silvavam os obuses.

E Rimbaud, fazendo as suas malas em Charlesville,

juntou à sua roupa os versos de Villón.

E Villón, o doze vezes condenado, o apócrifo,

o inédito, pensou diante do patíbulo nas três

coisas que mais havia amado: sua mulher Christine,

a sua própria lenda e

a vaga recordação de uns versos que falavam

da noite de 711 em que Taric se apoderou

de Gibraltar.

E o sombrio poeta árabe que escreveu aqueles

versos na calorosa noite de 711 apoiando-se

na cimitarra

imitava os versos que seu avô lhe costumava ler

na longínqua Argel;

e o avô de Argel havia lido Imru-Ui-Qais,

aquele que Maomé considerava o primeiro grande

poeta árabe: tinha-o lido numa interminável

jornada pelo deserto do Sahara (mais húmido

agora do que então)

na lenta marcha dos camelo e nas tendas

acesas.

E é provável que Imru-Ui-Qais tivesse escrito

na língua de Allah imitações de Horácio.

E Horácio admirava Virgílio,

e Virgílio aprendeu com Homero,

e Homero, o cego, repetia nos seus versos os

estranhos poemas que sussurravam ao ouvido

os amantes nas estreitas ruas de Babilónia

e Susa,

e em Babilónia e Susa

os poetas imitavam os versos dos hititas de Bog

Haz Keni e da capital egípcia de Tell El

Amarna,

e os poetas de 4000 a.C.

imitavam os poetas de 5000 a.C..

Até que o Homem de Pequim, na húmida caverna

de Chou-Tien

vendo arder lentamente sobre as brasas a anca

de um veado,

grunhiu os versos que lhe ditava do futuro

um jovem poeta que murmurava fechando um livro

de Apollinaire.

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Os Herdeiros do Vento - Antologia Apócrifa

Joaquim Pessoa

ASENSIO

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às 02:50

Quarta-feira, 15.08.07

Dois feridos em largada de touros

«As colhidas dos touros já resultaram na morte de alguns mais incautos, como sucedeu em Maio do ano passado, durante uma iniciativa denominada "25 horas de largadas", onde morreu um dos homens que entrou dentro do perímetro para desafiar os animais.» - em Samora Correia.

É a inexorável marcha da selecção natural, os elementos com características menos favoráveis serão extintos.

ASENSIO

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às 22:09

Terça-feira, 14.08.07

Mal dirigido...

«As autoridade monetárias, quer nos EUA, quer na Europa, têm vindo a actuar de uma forma atempada, a fornecer ao mercado a liquidez necessária para que esta perturbação no mercado imobiliário não tenha mais consequências» - Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças.

Reparem como se actua rápida e implacavelmente para atenuar as oscilações do mercado financeiro. É uma resposta pronta muito mal dirigida. Se tivéssemos metade desta rapidez para manter o equilíbrio ambiental, de certeza que não teríamos que levar com as estopadas dos Live Earth e afins.

ASENSIO

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às 16:07

Terça-feira, 14.08.07

A grandeza do país...

A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pela forma como tratam os seus animais - Mahatma Gandhi

É uma frase que é já um cliché, mas, tendo em conta
notícias destas, asseguro que existem muitas pessoas que ainda não a conhecem e que a deviam repetir constantemente.
ASENSIO

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às 15:56

Segunda-feira, 13.08.07

Pelas arradas

«Um dos mais importante conselheiros políticos do presidente norte-americano, George W. Bush, anunciou a demissão do seu cargo. Karl Rove, que esteve envolvido na denúncia da identidade de uma agente da CIA, afirmou que abandona o seu cargo por causa da família.»

Mais um que vai passando por entre as gotas de chuva, sem que nada, nem ninguém, lhe toque.

ASENSIO

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às 16:24

Domingo, 12.08.07

Imperdoável

«António Arnaut, um histórico do PS, acusa o Governo e em particular a ministra da Cultura de ter ignorado um dos maiores escritores de Portugal. Nas comemorações do centenário de Miguel Torga, o Governo fez-se representar pelo director regional da Cultura.»

O país não merece os Grandes que tem. Mas, vendo bem, nesta terra de medíocres, só será grande quem se conseguir libertar das areias movediças da vulgaridade corrente.

ASENSIO

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às 21:34

Sexta-feira, 10.08.07

Náusea

Das entrevistas, do senhor e da senhora mais os seus ares compungidos. Das celebrações dos 10, 20, 30, 50 e agora 100 dias, das idas às missas, das rezas, da Praia da Luz, dos flyers, panfletos e cartazes, do dinheiro, das viagens e das campanhas. Dos avistamentos, das pistas, do sangue, do DNA, das buscas, dos estudos forenses, mais os odores para os cães pisteiros. Das hordas de indivíduos que os perseguem e depois do lixo jornalístico que produzem e distribuem. Dos média e as críticas que vêm de lá, da nossa imprensa e as respostas que vão daqui e que se encontram a meio caminho para ser tornarem em coisa nenhuma, em bagatelas inconsequentes. Do que se diz que se conta, do que se conta que se diz... Chega! Ódio!
ASENSIO

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às 22:14

Sexta-feira, 10.08.07

Orfeu Rebelde

Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso

Que na casca do tempo, a canivete,

Gravasse a fúria de cada momento;

Canto, a ver se o meu canto compromete

A eternidade do meu sofrimento.


Outros, felizes, sejam os rouxinóis...

Eu ergo a voz assim, num desafio:

Que o céu e a terra, pedras conjugadas

Do moinho cruel que me tritura,

Saibam que há gritos como há nortadas,

Violências famintas de ternura.


Bicho instintivo que adivinha a morte

No corpo dum poeta que a recusa,

Canto como quem usa

Os versos em legítima defesa.

Canto, sem perguntar à Musa

Se o canto é de terror ou de beleza.

______________

Miguel Torga

ASENSIO

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às 16:53

Quarta-feira, 08.08.07

Direito à greve, de novo e sempre...

«Na Alemanha, foi proibida a greve dos maquinistas que ameaçava parar comboios de passageiros e de mercadorias. O sindicato, que reclama aumentos salariais de 31 por cento, vai recorrer da decisão do Tribunal do Trabalho para prosseguir com a luta.[...]
O tribunal fundamentou a sua decisão no facto da economia alemã estar muito dependente deste meio de transporte. A greve ferroviária traria prejuízos ao transporte de mercadorias, além de afectar o transporte de passageiros em pleno período de férias.»


O Tribunal alemão do Trabalho prefere esquecer o que são os (ainda) direitos laborais em nome do óbvio prejuízo que uma greve traz (que lógica faria uma greve que não os trouxesse?) e do transtorno causado às pessoas em férias (se não estivessem em férias o transtorno seria menor?).

Outros países procuram definir "serviços mínimos" que, podendo realmente ser necessários nuns sectores, como na saúde, noutros são muito discutíveis. Claramente, o novo rumo das relações de trabalho passam pelo fim destas formas de luta,
hélas.
ASENSIO

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às 22:00

Quarta-feira, 08.08.07

Algo que fica por propor...

«O novo primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, apresentou as linhas do que disse ser a "transformação total do sistema", propondo uma reforma "drástica da gestão do Estado".»

Seria também muito bom propor uma alteração à recente Constituição para esclarecer quem deveria ser convidado a formar Governo, se o partido mais votado, se uma coligação feita apressadamente no após a eleição e cuja estabilidade não é certa.

ASENSIO

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às 21:50

Quarta-feira, 08.08.07

26 de Abril de 1905

Neste mundo, é imediatamente evidente que algo de muito estranho se passa. Não se vê uma só casa nos vales ou nas planícies. Toda gente vive nas montanhas.
Em dado momento, os cientistas descobriram que o tempo flui mais devagar à medida que aumenta a distância do centro da terra. O efeito é mínimo, mas pode ser medido com instrumentos extremamente sensíveis. Quando o fenómeno se tornou conhecido, algumas pessoas, na ânsia de se manterem jovens, foram viver para as montanhas e agora as casas são todas construídas no Dom, no Matterhorn, no Monte Rosa, e noutros pontos igualmente elevados. É impossível vender casas noutro sítio qualquer.

Muitos, porém, não se contentam simplesmente em ter as suas casas na montanha. para maximizarem o efeito, constroem as suas casas sobre estacas. Por esse mundo fora, os cumes das montanhas estão cobertos de casas dessas, casas que à distância se assemelham a pássaros gordos de pernas altas e ossudas. Os mais preocupados com a longevidade construíram as suas casas sobre estacas elevadíssimas. Na verdade há casas que chegam a atingir setecentos metros de altura, empoleiradas nas suas pernas de aranha. elevação tornou-se sinónimo de posição social. [...]. Há os que se gabam de ter vivido toda a vida lá no alto, de ter nascido na casa mais alta do cume da mais alta montanha e de nunca de lá terem saído. Esses celebram a sua juventude frente ao espelho e passeiam-se nus pelas varandas.
[...]
Em cada cidade há sempre um punhado de pessoas que não se importam de envelhecer alguns segundos mais depressa que os vizinhos. São as almas aventureiras, as que descem ao mundo inferior e aí passam dias a fio, deitadas à sombra das árvores que crescem nos vales, nadando tranquilamente nos lagos que se espraiam nas altitudes mais amenas, ou simplesmente rebolando-se no chão. Raramente consultam o relógio e nunca são capazes de dizer se é segunda ou quinta-feira. E quando os outros passam a correr e troçam delas, limitam-se a sorrir.[...]

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Os Sonhos de Einstein (sinopse)
Alan Lightman

ASENSIO

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às 00:34



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