Um presidente anti-semita na Casa Branca? Quando o famoso herói da aviação e isolacionista fanático Charles Lindbergh derrotou esmagadoramente Franklin Roosevelt nas eleições presidências de 1940, o medo invadiu todos os lares judaicos da América. Num discurso transmitido pela rádio à escala nacional, Lindbergh não só tinha acusado publicamente os judeus de empurrarem egoistamente a América para uma guerra sem sentido com a Alemanha nazi, mas também, ao tomar posse como trigésimo terceiro presidente dos Estados Unidos, negociara um pacto cordial com Adolf Hitler, cuja a conquista da Europa e cuja virulenta política anti- semita ele parecia aceitar sem dificuldade.
"O Que Resta da Esquerda", Nick Cohen, Aletheia, 2007
Do acutilante jornalista Nick Cohen uma poderosa e irreverente dissecação das agonias, idiotices e compromissos da corrente de pensamento da Esquerda liberal. Nick Cohen vem da Esquerda. Em criança via a mãe escrutinar as prateleiras do supermercado à procura de sumo de limão politicamente correcto. Quando, com 13 anos, descobriu que a sua querida e preferida professora de Inglês votava nos Conservadores quase caiu da cadeira: «Para se ser bom, tinha que se ser da Esquerda.» Hoje, no entanto, não está menos confuso. Quando olha ao redor, no pós-invasão do Iraque, Cohen não pode deixar de se questionar porque é que um militante islâmico que defende tudo o que é contrário à Esquerda liberal é desculpado e defendido por essa mesma Esquerda. Após as guerras dos americanos e britânicos na Bósnia e no Kosovo contra as limpezas étnicas de Slobodan Milosevic, porque é que homens e mulheres de Esquerda negam a existência de campos de concentração sérvios? Por que é que a Palestina é uma causa para a Esquerda, mas não o é por exemplo a China, o Sudão, o Zimbabué ou a Coreia do Norte? Por que é que aqueles que dizem apoiar a causa palestiniana não conseguem dizer que tipo de Palestina gostariam de ver nascer? Depois dos ataques do 11 de Setembro em Nova Iorque e Washington, porque passou a ser tão provável ler num jornal de Esquerda que uma sinistra conspiração de judeus controlava a política externa americana e britânica como num panfleto neo-nazi? É fácil saber contra o que luta a Esquerda – os males de Bush e das multinacionais – mas o quê e quem em concreto contesta afinal? À medida que enumera os absurdos da Esquerda, Nick Cohen pede-nos que reconsideremos o que significa ser de Esquerda nestes tempos turvos e confusos. Com a sátira irada de Jonathan Swift, ele reclama o regresso dos valores da democracia e da solidariedade que uniram um movimento que lutou contra o fascismo, e pergunta: o que resta afinal da Esquerda?