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O Bico de Gás



Quarta-feira, 16.02.05

Algumas ideias sobre o debate de hoje

Começo a falar das minhas impressões sobre o debate deste noite para dizer que, quanto a mim, não houve esclarecimentos de propostas para convencer os indecisos, antes pelo contrário. Quem estava indeciso, indeciso ficou.

Ficou também patente que nenhum partido poupou artilharia nos ataques à banca, e se isso é normal nos partidos da esquerda, já não é tão óbvio nos partidos de direita, que se quiseram mostrar como os grandes opositores aos grandes grupos financeiros, o que é manifestamente um embuste. Não são opositores como oferecem benefícios fiscais a estas entidades.

Ficou também, deste debate, o recuo por parte dos partidos PS e PSD em relação à alteração da idade da reforma. O PSD depois de defender o aumento da idade da reforma, diz agora que ela deve ser facultativa, ou seja, se o trabalhador quiser prolongar a idade de actividade, tudo bem ,se não quiser, tudo bem na mesma. Isto não é esclarecedor sobre que medidas vai o PSD adoptar em caso de ser Governo. Já o PS, depois de ter dito que aumentaria esta idade para os 68 anos, agora vem dizer que, pelo facto de o sistema de Segurança Social não parecer falido a curto prazo, é preciso estudar para ver que medida tomar em relação às reformas. Um recuo ou uma tentativa de abafar o que consta no seu programa de Governo? Além disso, a Segurança Social poderá não estar falida a curto prazo, mas se se mantiverem as relações entre cidadão produtivo e cidadão beneficiador de reforma que se verificam hoje, a falência está próxima, e quem é que vai resolver ente problema? Se o próximo Governo não se comprometer em resolve-lo no imediato ficará para quem vier a seguir. Ora, adiar não é solução.

Outra ideia. Não me parece sério da parte do Dr. Paulo Porta e do CDS-PP, dizer que está em disputa directa com o PS em relação ao número de deputados. Mais um caso provado de que cada um olha e vê nos números aquilo que quer. Os votos que faltaram ao CDS-PP para eleger mais um deputado por Braga não transitaram directamente para o PS, permitindo a estes últimos conquistar mais um deputado. Os votos que faltaram ao CDS-PP foram para o PSD, e o PS ganhou esse referido deputado retirando votos ao PSD. O espectro parlamentar tem fronteiras bem definidas. O único partido que parece não obedecer a este preceito, é o PCP, em tempo de eleições CDU, uma vez que parece haver eleitores que divagam directamente do PS para o BE e vice-versa. O Dr. Paulo Portas sabe disto muito bem, mas para não arremeter contra o PSD, acede ao seu centro criativo para debitar estas contas ilógicas.
ASENSIO

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