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O Bico de Gás



Sexta-feira, 23.09.05

O Olho do Furacão

É dia 22 de Maio, 1281. O Japão encontra-se dividido. Após um golpe de estado, o Imperador H. é forçado a recolher-se em Kyoto, onde se encontra há anos. É na zona de Kamakura que governa aquele que é responsável pela queda do Imperador. É S., um Bakufu, um Shogun, Senhor da guerra que não tardará em ver posto à prova a sua liderança.

Nesse mesmo dia a frota de guerra de Kublai Khan parte do reino de Koryu. O objectivo é o pequeno e ingovernável território Japonês. A sua armada tem a dimensão do Mundo, desde barcos de guerra de alto mar, a cavalaria e soldados incontáveis. Divide-se o ataque em duas frotas, a Sul, que tomará Hirado e servirá de apoio no ataque ao Golfo Imari, e a frota Norte que atacará Tsushima e seguirá para a ilha Iki.

S. ouviu falar do imenso Império de Kublai pelas relações que mantém com a dinastia Sung, inimigos de Kublai. A descrição, feita por um espião mongol, da armada que se encontra a caminho do seu país impressiona-o. Como fará S. frente a tamanho império militar? Temendo o pior, já que as forças japonesas se encontram em menor número e não dispõem de barcos de ataque de alto mar, S. dirige-se a Kyoto disposto a pedir apoio ao imperador. Clama S. ao Imperador que o guie na tentativa de parar tamanha invasão. H. responde que “A resposta é a reza em todos os altares do Japão, pois não há neste Mundo força que trave Kublai Khan”. S., apesar do apelo do Imperador, reúne o máximo de soldados para tentar defender o território.

Na ilha Iki, seis soldados mongóis partem, comandados pelo General Hong, por ordem expressa de Kublai, rumo a Kyoto. O combate, que terá lugar na Baía de Hakata, servirá de táctica de diversão e terá de durar até ao retorno do general Hong.

Hong chegando a Kyoto, não encontra resistência e depressa invade o palácio do Imperador H. levando-o escoltado pelos seus soldados. Embarcam e rumam à ilha Iki. Quando chegam, já o resto da armada se encontra ancorada. A defesa japonesa tinha sido eficaz, havia algumas baixas mongóis, mas o prémio que Kublai sempre quisera estava agora a bordo trazido por Hong. A frota Sul chega em boa hora, após a conquista de Hirado. O ataque final no golfo de Imari mostrará H. aos japoneses, estes vendo o seu imperador pousarão as suas armas e a conquista será facilitada.

Ao chegar ao Golfo Imari a imensa frota depara-se com uns frágeis barcos pesqueiros atulhados de camponeses promovidos a soldados sem experiência, comandados pelo próprio S.. A desgraça japonesa parece estar apenas a começar. O general Kim encarregue do ataque, não hesita e mostra aos incrédulos japoneses o seu imperador em mãos mongóis. Seria mais fácil abdicar de lutar e permitir a extensão do império de Kublai até ao Japão.

H., num ritual único, curva-se e reza. “Será esta afinal a única salvação do Japão?”, pensa S., curva-se e repete o ritual de H. pelo que é imediatamente seguido por todos os japoneses.

É então que se levantam os ventos divinos (kamikaze) de uma tempestade que cresce até se transformar num furacão. É a ajuda divina ao Japão, um furacão no mar sobre a armada mongol. A frota de Kublai Khan depressa é aniquilada, perecem 100 000 homens em 4 000 barcos, os outros procuram a fuga, menos um...

O barco onde o Imperador H. se encontra a rezar não sairá do sítio, é o único local, bem no meio do coração da tempestade que se encontra calmo. É por isso todos os furacões, mesmo os de hoje, têm um olho de calmaria bem no seu centro. É onde H. se encontra a rezar...
ASENSIO (também no Sempiterna Temptatio)

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às 00:38


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