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O Bico de Gás



Quarta-feira, 10.09.08

Espaço de Opinião

«A interpretação, de tão unânime, parece convincente. Diz-se que a Administração norte-americana decidiu intervir nas duas maiores empresas de crédito imobiliário do país para evitar males maiores, que até à nossa porta poderiam bater. Que se antecipou à previsível falência da Fannie Mae e da Freddie Mac para poupar o sistema financeiro - mundial - a uma turbulência ainda mais profunda, susceptível de abalar os seus pilares.

Como não sou especialista em questões económicas, sinto-me inibido de discutir a bondade da medida. Admito até que seja acertadíssima, mas não sou capaz de fugir a uma perplexidade: se Bush acciona a arma da nacionalização, para preparar a maior operação de resgate financeiro da história do país, então o mundo anda de pernas para o ar. Nem no terreno económico sobrevive um pingo de coerência ideológica.

Suspeito, apenas suspeito, que a situação chegou onde chegou porque as autoridades de supervisão dos Estados Unidos foram incompetentes, quanto mais não seja por omissão. Talvez tenham acreditado que o mercado, mal ou bem, tudo resolveria, até serem confrontadas com a inevitabilidade de recorrer à "bomba atómica". Pelas asneiras de regulação e os pecados do mercado, hão-de pagar agora os contribuintes norte-americanos qualquer coisa como 211 mil milhões de euros, segundo as estimativas - quase mais 50 mil milhões do que o Produto Interno Bruto português. E pagaremos todos nós, que penamos numa crise sem fim à vista.
[...]»
Paulo Martins, JN

Há quem não acredite na intervenção do Estado na economia. Geralmente sãos os primeiros a recorrer a ele quando a tão "perfeita" Lei do Mercado lhes sai pela culatra. Parasitismo puro porque os cidadãos, como Estado, acabam sempre por pagar os desvarios económicos das empresas privadas.

«Deve o Estado salvar empresas que, por seu exclusivo demérito e má gestão, estão a falir? Não, vinte vezes não. Nem aqui, nem na China.[...]»
Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

E deve o Estado salvar aquelas cuja gestão nem pode ser considerada dolosa, mas que, ao acreditar na volátil Lei do Mercado, também se encontram em situação de carência? Trinta vezes não, nem aqui, nem na Lua.

ASENSIO

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