Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Bico de Gás



Sexta-feira, 18.02.05

Umas notas antes da contenda

Depois dos resultados das últimas sondagens uma coisa é certa, aliás era já certa há alguns meses, o PS ganhará no Domingo. Não será uma vitória pura, pois dever-se-á mais à desorientação de um PSD Santanista que se desagrega a cada dia que passa, do que à capacidade de mobilização de José Sócrates.

O único que acredita na vitória do PSD é mesmo Pedro Santana Lopes, pelo que a dúvida que fica é se o PS terá ou não maioria absoluta. E muito se têm referido os partidos sobre essa questão, tanto do lado do BE e da CDU, apelando ao voto útil contra a maioria absoluta do PS, quer do lado do CDS-PP, que além de, enganosamente referir que o voto nos populares permite retirar a maioria absoluta a Sócrates, apela dramaticamente ao eleitorado que lhe dê 10%. Chega-se ao cúmulo de ver liberais com intenções de votar CDU, no distrito de Braga, para retirar mais um deputado a Sócrates.

Já no PS parece nem se pôr a hipótese de governar com maioria relativa. E no forcing final aplica-se uma fórmula de medo ao eleitor, é o pânico eleitoralista nos média, ouve-se António Vitorino, Guterres, Vital Moreira e muitos mais a dizer subtilmente, “tenham medo”. Clama-se dizendo que sem maioria absoluta o governo não terá estabilidade, refere-se que uma maioria relativa equivale a responsabilidade relativa, que Portugal não pode ter outro governo que não cumpra os 4 anos de legislatura.

Ora a maioria relativa não é papão nenhum. A questão da maioria absoluta ou relativa é só mesmo que, enquanto a primeira permite governar-se sem compromissos de maior, fazendo da Assembleia da República um mero intermediário por onde passam as propostas de governação (lembremo-nos das maiorias de Cavaco Silva), a segunda implica acordos de coligação governativa ou pontuais. O PS governará descomplexadamente, com a ideia que não tem que prestar contas a ninguém, ou governará obrigado a compromissos com os partidos com quem fará acordos.

Os possíveis acordos do PS amarrá-lo-iam a um dos extremos do espectro parlamentar. O acordo, já afastado por Sócrates mas possível, tendo em conta a história recente do PS, com o CDS-PP acorrenta a Governação à direita, ao passo que um acordo com o BE, exequível mas já recusado pelos bloquistas, puxaria o PS para a esquerda. A verdade é que, as reformas que Portugal precisa não se fazem ao centro, fazem-se nos extremos. São necessários compromissos e coragem. O centro, tão caro a Sócrates e que lhe permitirá ganhar no Domingo, é que se torna um obstáculo. O centrismo representa o laissez faire, o deixar andar que a coisa compõe-se, o que não é verdade.

Sócrates tem que decidir, já que não o fez durante a campanha eleitoral, se torna o Estado uma ferramenta de impulso ao crescimento, investindo o próprio Estado no desenvolvimento o que, sabendo da situação financeira do país, implica sacrifícios à população, ou se, dando benefícios, permite aos empresários tomar as rédeas do desenvolvimento, puxando estes por Portugal, investindo, criando emprego, emagrecendo a máquina do Estado, permitindo umas maior folga financeira ao país.

A nível pessoal, tendo como adquirida a inércia, a desresponsabilização, a dependência de subsídios, a falta de inovação do universo empresarial português, acredito mais na impulsão feita pelo Estado, acredito que com um Governo com coragem política, as reformas feitas à esquerda dão mais garantias à população e para o futuro, apesar dos sacrifícios óbvios iniciais. Sacrifícios que serão menores se houver, por parte do Governo, um controlo efectivo da fuga de capitais de impostos, por parte de empresas ou de pessoas com riqueza pessoal, erradamente isentas ou fraudulentamente escondidas.

Mas para qualquer uma destas opções, primeiro é necessária a fuga ao marasmo de centro. Não vejo, infelizmente, coragem em José Sócrates para, com maioria absoluta, fazer essa fuga. Por isso me parece que a maioria relativa seria um mal menor, apesar das ameaças de instabilidade, para uma governação a sério.

Mas isto tudo implica uma escolha por parte de Sócrates. Escolha que já deveria ter sido feita, mas como tal não aconteceu esperamos por Domingo para saber com o que contamos do PS. Apartir desse dia, Sócrates lutará com as armas que os eleitores lhe derem.
ASENSIO

P.S.- sabendo da vitória do PS, fica agora a curiosidade em saber quem será o próximo Presidente da República. Com maioria relativa e António Guterres na presidência, o PS não sentirá instabilidade, que aumentará se o Presidente for Cavaco Silva ou Marcelo Rebelo de Sousa. Com maioria absoluta e Guterres na Presidência, será o guterrismo, inocentado e com acesso total ao poder. Com Cavaco ou Marcelo, o PS que prepare os cabazes para carregar os vetos presidenciais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 22:17


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Pesquisar

Pesquisar no Blog  


calendário

Fevereiro 2005

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728