«O primeiro-ministro reafirmou, esta terça-feira, que a crise orçamental portuguesa "está ultrapassada" e os factores que a motivaram "estão resolvidos", garantindo que pela primeira vez tal foi possível sem comprometer o crescimento económico.» Resolvidos poderiam estar os factores que o governo controla ou pode controlar. Nenhum factor estrutural intrínseco do país foi resolvido, nenhum factor proveniente das regras europeias que estrangule o desenvolvimento interno foi ajustado/renegociado com a União, nenhum dos factores da conjuntura internacional, que fogem à esfera de domínio do governo nacional, foi solucionado. Se estivesse tudo resolvido a confiança dos portugueses estaria em alta, o quinhão, resultante do esforço desenvolvido, estaria a ser repartido por todos os que realmente "apertaram o cinto". Nada disto acontece no presente, não há nada no futuro que indicie o desafogar das famílias, no horizonte desenha-se uma crise internacional que, essa sim, pode agora comprometer o crescimento económico. O único resultado de que este governo se pode gabar, se é que pode mesmo fazer tal coisa, é da estabilização da crise orçamental à custa do desinvestimento público. ASENSIO