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O Bico de Gás



Sábado, 05.06.10

Pequenos crimes entre amigos

Num país picaresco, a luta contra a fraude fiscal produz desânimo aos seus responsáveis, e a percepção social é que só são verdadeiramente controlados pelo fisco os trabalhadores por contra de outrem, os que recebem um salário mensal do qual a fazenda pública tem notícia exacta. As grandes bolsas de fraude estão na opacidade de certas sociedades, nos paraísos fiscais, no dinheiro sujo, nas argúcias contabilísticas de verdadeiros especialistas que, como sucede com os narcotraficantes, estão muito melhor apetrechados que aqueles que os combatem. Dá a impressão, por outro lado, que os sucessivos governos se resignaram a esta situação, porque mergulhar na economia submersa resulta fatigante – e muitas vez estéril –, num oceano com tantas fossas abissais. Isto produz-se num contexto em que a fraude fiscal não tem a censura social que deveria, e muitos instalaram no pensamento que quem não defrauda ou é tonto ou não pode. São as contradições de uma sociedade em que se admira o infractor que se gaba de ter conduzido numa auto-estrada a 200 Km/h ou quem se vangloria de ter encontrado um emprego público graças à influência do seu cunhado. Enquanto estes critérios continuarem em vigor, o Estado resigna-se a que a fraude constitua um alívio para alguns – ainda que à custa dos outros – e que evite, com centenas de milhar de desempregados, uma verdadeira revolta social. Conclusão: agora que nos pedem o esforço e o sacrifício de todos, isto depois de década e meia em que parecia fácil enriquecer, ficam muitas explicações pendentes.
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Rui Herbon, no Jugular

ASENSIO

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às 13:07



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